A Conferência do Clima (COP15) terminou em fracasso. Sim, infelizmente
os líderes mundiais não cumpriram seu papel fundamental de proteger os
mais vulneráveis dos efeitos perigosos das mudanças climáticas. Não
chegaram a um acordo decente para controlar o aquecimento global. E
ainda deixaram Copenhague antes do fim da reunião, sem assumir
publicamente sua própria incapacidade. Ao mesmo tempo, a COP15 foi um sucesso, uma imensa demonstração da força da sociedade civil.
A sociedade, como um todo, se organizou e pediu a seus
representantes que se esforçassem mais para lidar com a crise
climática. Sem essa força, dificilmente eles teriam ao menos se
abalado até a Dinamarca, em pleno inverno. Sem esse trabalho, a ida
deles poderia se maquiada como comprometimento - o que foi impedido.
Sem essa pressão, as metas de redução de emissão dos países em
desenvolvimento, como o Brasil, não existiriam.
Não é fácil. Os grupos sociais que foram até Copenhague sentiram na
pele as dificuldades, com restrição à entrada no local onde aconteciam
as reunião e com truculência policial, que invocou a lei antiterror
durante a COP. Diversos ativistas foram detidos. Alguns continuam
presos.
Quem colaborou à distância, assinando petições, mandando recados,
repercutindo os absurdos e acompanhando de perto o assunto descobriu o
quanto pode ser frustrante ver a política e a economia tomarem de refém
o futuro da humanidade.
Principalmente nos momentos de desânimo, devemos lembrar que temos
de seguir em frente. Não apenas com marchas nas ruas (e sim, elas
também são importantes), mas engajando o setor privado, os governos
locais e as outras pessoas para transformar nossa comunidade e criar
mais pressão nos nossos governantes.
Afinal, não podemos mudar a ciência para se adequar ao pouco avanço da COP. Mas sempre podemos mudar os políticos. Greenpeace |